Menor concorrência favorece Novak Djokovic no Open do EUA

Mesmo antes de começar, o último torneio do Grand Slam do ano é já único.

Novak Djokovic é o favorito à conquista do Open dos EUA
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Novak Djokovic é o favorito à conquista do Open dos EUA LUSA/JASON SZENES

As condições atípicas em que vai decorrer o Open dos EUA fazem desta prova do Grand Slam um evento único na história do ténis. É unânime adiantar que os jogadores que se adaptarem mais depressa estarão em vantagem, mas para muitos será também o regresso à competição, após meses de paragem, o que torna ainda mais intrigante o desfecho de muitos encontros. Menos dúvidas haverá quanto ao favoritismo de Novak Djokovic, o líder do ranking que venceu todos os 23 encontros que disputou em 2020.

Mas em primeiro lugar está a segurança: Benoît Paire, 17.º na lista de favoritos, foi já afastado do torneio por ter acusado positivo à covid-19 este domingo. Serão diários os testes a que os tenistas terão de submeter-se durante a estadia em Nova Iorque, cidade onde já se registaram 238 mil casos. Mas terão igualmente de habituarem-se a contar com apenas o apoio do treinador nos courts do Billie Jean King Tennis Center, pois não haverá público nas bancadas, o que retira um pouco de vantagem aos tenistas da casa.

Dois portugueses em prova

Disso poderão tirar proveito os dois únicos representantes portugueses, João e Pedro Sousa, que, esta segunda-feira, estreiam-se diante de norte-americanos. João Sousa, actual 66.º colocado no ranking mundial, vai procurar a sua primeira vitória no circuito este ano diante do convidado da organização, Michael Mmoh (184.º) no quinto e último encontro do court 8, mas o seu treinador está optimista.

“Foram muitos meses ausente, mas mais do que isso, são os meses ausentes de vitórias. Já antes da pandemia vínhamos de uma série de derrotas devido a lesão e em conjunto com a pausa sem competir. Será importante controlar a ansiedade, jogar com o tempo entre pontos, boas recuperações e rigor táctico desde o início do encontro. O João é um jogador experiente e sabe que não existem favoritos em torneios de Grand Slam e num encontro a cinco sets existem muitos altos e baixos de ambos lados”, revelou Frederico Marques.

Mais concretamente em relação ao adversário, ambos sabem o que os espera: “Vamos ter pela frente um jogador motivado, com pouco a perder e muito a ganhar. Um jogador forte em superfícies rápidas, mas o João gosta de superfícies rápidas e não penso que será por aí que teremos mais ou menos problemas. A nível táctico, esperamos um adversário forte no princípio da jogada, que serve bastante bem e tem muito controlo na pancada de esquerda, mudando muito rapidamente de direcções.” 

Pedro Sousa (110.º) actua mais cedo, no segundo encontro do court 14, diante de outro wild-card, Mitchell Krueger (197.º). “É um americano, muito motivado a jogar o Grand Slam do país dele, o seu ranking não está tão alto como o meu, mas são condições que o favorecem, por isso, vai ser muito complicado”, disse o número dois português.

Mas o “adversário” que Pedro Sousa mais teme é a falta de preparação. “Tentar adaptar-me o mais rapidamente possível, pois não compito desde Março. Joguei pouco em Portugal, porque estava a recuperar de uma lesão no gémeo, fui pai, tive uma recaída da lesão e abrandei os treinos antes de vir”, afirmou, antes de salientar a importância das condições meteorológicas: “Cinco sets dá-nos mais tempo para entrar em jogo, mas também é mais desgastante fisicamente e, com o calor e humidade que se fazem sentir aqui, podem tornar o jogo mais duro nesse aspecto. Foi muito tempo afastado e jogar logo à melhor de cinco sets, em piso rápido, pode ser difícil.”

Desportivamente, este evento lembra o torneio de Wimbledon de 1973, quando 81 tenistas – incluindo o campeão em título Stan Smith – boicotaram o evento em apoio a Niki Pilic, suspenso pela federação internacional por se ter recusado a jogar pela Jugoslávia numa eliminatória da Taça Davis. É verdade que alguns nomes sonantes recusaram atravessar o Atlântico, com destaque para Rafael Nadal e Stan Wawrinka – e também Roger Federer, por lesão –, mas é no quadro feminino que houve um maior desfalque entre o top-10, com somente quatro presenças.

Karolina Pliskova (3.ª) é a mais cotada, seguida da campeã do Open da Austrália, em Janeiro, Sofia Kenin (4.ª). Mas as apostas centram-se mais em Serena Williams (8.ª) e Naomi Osaka (9.ª). Serena está à procura de um inédito 24.º título do Grand Slam e primeiro desde Janeiro de 2017, quando estava grávida, e esta é sua melhor oportunidade dos últimos três anos.

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