Três perguntas a Mats Wilander, ex-número um mundial, sobre o Open dos EUA

O antigo tenista sueco é actualmente comentador do canal televisivo Eurosport.

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Mats Wilander DR

Este Open dos EUA vai ser um torneio do Grand Slam diferente, com algumas ausências de peso e sem público nas bancadas. O que espera deste Open dos EUA?

As ausências vão dar mais oportunidades a jogadores que não costumam entrar directamente no quadro principal ou não costumam estar tão bem pré-classificados; um cabeça de série 7 ou 8 não poderá defrontar o número ou dois antes dos quartos-de-final. Vai abrir um pouco o quadro e espero ver novos jogadores a aparecer. Obviamente que vamos ter alguns duelos inesperados nas fases adiantadas do torneio. Mas pode ser um Open dos EUA muito interessante pelas caras que vamos ver. Todos os anos há jogadores que não competem por alguma razão, por isso, não penso que se deva diminuir o campeão, quer no quadro masculino, quer no feminino. É uma boa oportunidade para jogadores ‘low profile’ aparecerem, pois penso que muitos jogadores não ganham porque ficam afectados pela importância do momento. Agora, sem ninguém a ver, talvez não fiquem tão nervosos, não sei. Quanto à falta de público não sei quem irá ser afectado. Para o Novak Djokovic, por exemplo, sabemos que o público não faz diferença no início e no final dos encontros, mas faz a meio do encontro, quando procura um pouco mais de energia para tentar ganhar em três sets. É aí que vamos ver a diferença em alguns jogadores, que não vão conseguir ir buscar energia ao público.

Quem são os principais favoritos no quadro masculino?

Novak Djokovic e Dominic Thiem são os claros favoritos porque é um Grand Slam e se joga à melhor de cinco sets e quero ver como irão actuar no início do torneio. Stefanos Tsitsipas é o terceiro favorito. Além desses, vou estar com particular atenção aos dois canadianos, Denis Shapovalov e Felix Auger-Alliasime. Ainda não ‘explodiram’, mas podem ganhar um major já.

O quadro feminino vai apresentar-se bastante desfalcado. Qual a principal favorita? Será esta a melhor oportunidade para Serena Williams conquistar o 24.º título do Grand Slam?

Se a Serena Williams não ganhar este, as pessoas, e principalmente ela, vão começar a duvidar de que pode ganhar outro. Não é fácil quando não há ninguém a assistir aos encontros dos norte-americanos, mas isso pode ajudar Serena, se nos lembramos como o público afectou-a nas últimas finais. Naomi Osaka vai ser difícil de bater, mas há agora 25, 30 jogadoras que podem vencer o torneio, porque o público não vai ser um factor.

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