Murray de titânio vence no US Open

No regresso aos Grand Slams, o ex-líder do ranking precisou de quatro horas e meia para vencer o primeiro adversário.

Andy Murray bateu Nishioka em cinco sets
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Andy Murray bateu Nishioka em cinco sets Reuters/Danielle Parhizkaran

Ter de passar várias vezes pelos detectores de metais tornou-se rotina para Andy Murray. A prótese de titânio que lhe foi colocada na anca direita, em Janeiro de 2019, complicou a sua entrada nos aeroportos, mas salvou-lhe a carreira. O escocês voltou à competição, mas não tinha regressado a um torneio do Grand Slam nem disputado um encontro em cinco sets até esta terça-feira, quando venceu o bravo Yoshihito Nishioka, ao fim de 4h40m e depois de perder os dois sets iniciais, ceder um break no terceiro e salvar um match-point no quarto.

“Vou saber se posso usar a banheira de gelo porque o meu corpo todo está dorido. Há só uma para emergências, mas esta é uma emergência”, ironizou Murray, já depois de encerrar o encontro, com os parciais de 4-6, 4-6, 7-6 (7/5), 7-6 (7/4) e 6-4. “Estava apreensivo por jogar um encontro longo, como um júnior quando chega ao circuito principal. Comecei um pouco hesitante, depois corri demasiados riscos e só no final encontrei o equilíbrio e servi bem nessa fase”, resumiu o britânico, que, a 5-6 do quarto set, viu Nishioka (49.º) passar a um ponto de ganhar o encontro.

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Este foi o primeiro encontro de Murray num Grand Slam desde o Open da Austrália de 2019, altura em que foi submetido a uma cirurgia à anca, a segunda, um ano depois da primeira. O actual 115.º do ranking estranhou o ambiente no Arthur Ashe Stadium, onde ergueu o troféu em 2012, mas o corpo provou estar pronto para batalhas de cinco sets. Resta saber como irá recuperar.

Na noite de segunda-feira, Novak Djokovic não teve grandes problemas para afastar o bósnio Damir Dzumhur (109.º), por 6-1, 6-4 e 6-1, e somar a 24.ª vitória em outros tantos encontros realizados este ano. “Claro que quero manter esta série, mas não é essa a minha prioridade, embora seja uma motivação adicional”, reconheceu o líder do ranking mundial.

Naomi Osaka fechou a sessão no Arthur Ashe Stadium, no qual entrou com uma máscara com o nome de Breonna Taylor, vítima da violência policial. “Tenho sete máscaras. É triste mas não são suficientes para todos os nomes. Espero chegar à final para que vejam todas elas”, disse a japonesa, após derrotar a compatriota Misaki Doi (81.ª), por 6-2, 5-7 e 6-2.

Entre as vítimas do torneio, John Isner, Coco Gauff e João Sousa. O melhor tenista português no ranking ATP, no 66.º posto, não conseguiu ultrapassar o “wild card” norte-americano Michael Mmoh (184.º) e, tal como o compatriota Pedro Sousa horas antes, foi eliminado em quatro sets: 6-2, 7-5, 2-6 e 6-1.

“O nível exibido na última semana de treinos não foi o que demonstrámos agora, pelo menos durante uma grande parte do encontro, mas faz parte do processo. Ainda existe alguma limitação em termos de movimentação, rotinas após pontos, visão do jogo, tranquilidade emocional”, explicou Frederico Marques.

O treinador de João Sousa ficou com uma “sensação amarga” e referiu que a paragem competitiva não foi favorável ao vimaranense, que ainda não ganhou qualquer encontro no circuito em 2020. “Vínhamos de muitas derrotas e a paragem fez com que as derrotas tenham outro peso; um peso que perdurou mais tempo do que o normal e trouxe muita ansiedade e frustração”, adiantou.

João Sousa regressa à Europa para preparar vários torneios de terra batida, começando pelo ATP 250 de Kitzbuhel, na próxima semana. “Devemos ser mais disciplinados e continuar a trabalhar. Por vezes, o ténis não é só direita ou esquerda”, frisou Frederico Marques.

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