Primoz Roglic exibe “cartão-de-visita” para a Volta a França

Para esta quarta-feira, entre GAP e Privas, está agendada mais uma oportunidade para os sprinters.

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Roglic a celebrar no final da quarta etapa LUSA/Christophe Ena / Pool

O dia nacional da Eslovénia festeja-se a 25 de Junho, mas, em matéria desportiva, festejou-se nesta terça-feira. No primeiro duelo entre os favoritos houve o primeiro show de Primoz Roglic. Apontado por muitos como o principal favorito ao triunfo na Volta a França, o esloveno não demorou a mostrar ao que vem e venceu a etapa desta terça-feira – a primeira com chegada em alto –, fazendo a “dobradinha” com o também esloveno Tadej Pogacar, numa demonstração de talento vindo do pequeno país balcânico. Em terceiro lugar chegou Julian Alaphillipe, que manteve a camisola amarela.

Desta subida, destaque ainda para a relativa fragilidade demonstrada por Tom Dumoulin e Egan Bernal, que cederam alguns metros a Roglic na ponta final  ainda que sem perderem tempo  e para os segundos perdidos por Emanuel Buchmann, Enric Mas, Sergio Higuita e, sobretudo, Richard Carapaz, que deixou dúvidas sobre a competência actual para ser um backup de Egan Bernal.

Primeira etapa com final em alto

A etapa desta terça-feira, entre Sisteron e Orcières-Merlette, prometia ser bastante aberta. Em tese, sendo uma tirada dura ainda no início do Tour, seria o cenário ideal para uma fuga vingar – os favoritos não teriam necessidade de atacar agressivamente esta etapa. Mas não foi isso que se viu na estrada, em grande parte porque já se sabia que a Quick-Step, do líder Alaphilippe, não se predisporia a largar já a camisola amarela.

“Vou fazer tudo para manter a amarela. E alguns dos favoritos até ficarão felizes se eu mantiver a liderança mais alguns dias”, explicou Alaphilippe, antes da etapa.

E a análise do francês tem lógica, já que a Jumbo e a Ineos agradecerão não ter de controlar a corrida nos próximos dias. E sabem que dificilmente Alaphilippe será um real adversário para Roglic ou Bernal, apesar da manchete do Le Parisien. A publicação gaulesa recordou uma frase de Napoleão Bonaparte na reconquista de Paris, em 1815.

“Se passar por Sisteron, ninguém me parará até Paris”. No caso de Alaphilippe é pouco crível que, mesmo tendo passado de amarelo por esta etapa de Sisteron, ninguém o pare até Paris.

E foi neste cenário que a Quick-Step controlou desde cedo a fuga formada nos primeiros quilómetros, com Politt, Neilands, Burgaudeau, Vuillermoz, Benoot e Pacher. E estiveram ao trabalho os homens do costume: Cavagna e Declercq, cuja função já foi explicada nas Histórias do Tour.

A cerca de 25 quilómetros da meta, com o trabalho de Cavagna e Declercq a deixar a fuga a menos de dois minutos, um dos fugitivos, Benoot, trocou a bicicleta pelo chão. Calculou mal uma travagem, em descida, e embateu nas barreiras rodoviárias. A bicicleta ficou partida ao meio, mas o ciclista belga levantou-se prontamente, apesar da queda violenta.

Foi nessa fase que o grupo da frente começou a desmembrar-se, com Neilands a ficar sozinho na cabeça da corrida. Foi neutralizado a cerca de seis quilómetros da meta, numa altura em que já se escalava a montanha final, de primeira categoria, com pendente média de 6,7%.

A corrida continuou a ser controlada pela Quick-Step até ao ataque de Pierre Rolland, a quatro quilómetros do final. A ousadia do experiente francês não valeu de muito, sobretudo com o esforço da Jumbo no grupo principal, e a subida foi pouco atacada pelos favoritos.

Já só a 500 metros do final houve outro ataque, com Guillaume Martin a lançar a primeira ofensiva e Roglic a responder. Ninguém acompanhou o esloveno, que venceu pela terceira vez no Tour. Os principais favoritos chegaram pouco depois, apesar da aparente demora de Bernal e Dumoulin a responderem ao ataque de Roglic. Os próximos dias dirão se foi apenas mau tempo de reacção ou algo mais.

Nota ainda para o português Nélson Oliveira, que não teve um dia fácil. Perdeu mais de oito minutos, ainda que o foco principal seja guardar energias para etapas mais duras do que esta - aí, sim, terá de estar junto de Valverde e Enric Mas.

Para esta quarta-feira, entre GAP e Privas, haverá mais uma oportunidade para os sprinters. Há um par de elevações menores, que dificilmente impedirão, porém, os ciclistas mais rápidos e mais pesados de terem o tão esperado final ao sprint. Caleb Ewan, Sam Bennett, Elia Viviani, Giacomo Nizzolo ou Alexander Kristoff serão nomes a ter em conta.

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