Há mensagens de histeria e muitas lágrimas e em todas se implora ao primeiro-ministro italiano para perseverar depois do ataque que sofreu o ano passado. Estão reunidas num livro que acaba de chegar às livrarias: como outros livros sobre a vida de Silvio Berlusconi, é lançado em plena campanha eleitoral, desta feita para as eleições regionais de dia 28 de Março.
O livro, da editora Mondadori, de que Berlusconi é proprietário reúne 50 mil mensagens de apoio sob o título “O amor vence sempre à inveja e ao ódio”, uma frase próxima de várias que o Cavaliere disse em Dezembro, quando, após meses de escândalos judiciais e polémicas sobre a sua vida privada, foi atingido na cabeça com uma estátua durante um comício.
Para além do nariz e de alguns dentes partidos, o ataque de um homem com perturbações mentais, saldou-se por uma vaga de apoio. As polémicas estão de regresso e o Povo da Liberdade, de Berlusconi, está em queda nas sondagens, mas agora os italianos são recordados da maré de apoio que então emocionou o primeiro-ministro.
Há mensagens de toda a Itália, mas também do Vietname. Algumas são de desafio: “Mostra-lhes que és indestrutível”. Outras são desesperadas: “Imploramos-te, não nos abandones e se puderes faz um clone de ti”. Também há descrições de histeria: “Ao ver-te coberto de sangue, a minha mulher puxou o cabelo e soluçou enquanto gritava ‘Nossa Senhora, salva o Silvio”, escreveu Carlo F. “Primeiro-ministro, estamos à beira do precipício, só tu nos podes salvar e garantir um futuro aos nossos netos. Vamos rezar todos os dias”, prometeu outro italiano.
Muitos escreveram mensagens onde comparam Berlusconi a um membro das suas famílias, como ele sempre quis que os italianos o vissem. “Sofro como se tivesse sido atingido o meu pai.”
No prólogo, Berlusconi diz que a mostra de solidariedade de que foi alvo compensou todas as “falsas acusações, ofensas e calúnias” que enfrentou ao longo dos anos. O livro nasceu, explica, do desejo que teve de tratar estas mensagens com o reconhecimento que merecem. “Pensem só que nos primeiros dois dias depois do ataque, recebi mais de 50 mil mensagens via Internet, centenas de faxes e ramos de flores”, escreve.
“Todos os líderes de países amigos me telefonaram. E houve uma peregrinação contínua, primeiro no hospital e depois em Arcore”, a casa da família Berlusconi perto de Milão. Estatísticas e informações sobre vários projectos do Governo, para além de dois discursos do político de 73 anos, completam o livro, dedicado à “Itália que sabe como amar”. Na capa há um jovial e sorridente Berlusconi.
Antes das eleições nacionais, Berlusconi tem por hábito lançar livros e até enviá-los às casas de todos os italianos. Fê-lo na primeira vez em que se candidatou, em 1993, lançando uma biografia sua. Tem-no repetido com publicações que enumeram os seus feitos.
O jornal “La Repubblica” (esquerda) chamou a este “O amor vence sempre à inveja e ao ódio” o “pequeno livro branco de Silvio Ceausescu”. “Precisa de ser dito com firmeza que este livro neste momento é um folheto de campanha, pura propaganda em papel brilhante.”



