Supremo paquistanês nega recurso do primeiro-ministro e prepara acusações por desrespeito

10.02.2012 - 09:49 Por PÚBLICO
O Supremo Tribunal do Paquistão indeferiu esta sexta-feira o recurso submetido pelo primeiro-ministro, Yousuf Raza Gilani, para evitar a formulação de acusações de desrespeito à Justiça, sendo esperado que as mesmas sejam oficialmente feitas segunda-feira, trazendo nova agitação política ao país.
Gilani fora convocado no início deste mês a comparecer no Supremo a 13 de Fevereiro, com o pleno dos oito juízes determinados a formularem nessa data o rol das acusações, face à continuada resistência de Gilani em reabrir uma série de casos de corrupção contra o Presidente, Asif Ali Zardari, e outras figuras políticas de topo no Paquistão.
O Supremo considera que Gilani está a agir “em desrespeito aos tribunais” por se negar, contrariando ordens judiciais repetidamente emitidas, a pedir às autoridades suíças que forneçam informações consideradas cruciais no caso de corrupçãoo e lavagem de dinheiro contra Zardari – o qual nega as acusações de que é alvo.
Mesmo enfrentando um cenário em que pode ser condenado a seis meses de prisão e suspenso de funções governativas caso seja dado como culpado, o primeiro-ministro argumenta que aqueles antigos casos judiciais não podem ser reabertos por Zardari (no poder desde 2008) gozar de imunidade na qualidade de chefe de Estado, além de estar abrangido por uma controversa amnistia, aprovada em 2007, pelo então presidente Pervez Musharraf.
Esta possibilidade de Gilani vir a ser condenado e preso está a criar uma forte tensão entre a classe política civil e o Supremo Tribunal numa crise que pode mesmo vir a paralisar a governação no Paquistão, cronicamente marcado por instabilidade política.
A eventualidade de afastamento do primeiro-ministro não acarreta forçosamente a queda do Governo, uma vez que a coligação no poder detém um número suficiente de deputados para eleger um novo chefe do Executivo. Mas um cenário em que esta batalha judicial se prolongue pode enfraquecer o Governo e causar danos muito significativos ao Partido Popular do Paquistão (de Gilani), com efeitos que se deverão repercutir até às próximas eleições legislativas, agendadas para o próximo ano.


