Aparelho "laranja" posiciona-se para a sucessão no PSD 
17.11.2009 - 08:23 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes
Manuela Ferreira Leite adiou para Março o debate sobre a liderança do PSD, mas o partido entrou já em ebulição com eleições em várias distritais. O chamado aparelho move-se, posicionando-se para o verdadeiro combate pela conquista da direcção do partido.
O Porto já foi a votos. Sem adversários, Marco António Costa foi reeleito com 98 por cento dos votos expressos (votaram 4564, pouco mais de metade dos militantes inscritos), mas decidiu fechar-se em copas quanto a apoios para a liderança do partido, adiando "uma tomada de posição pessoal" para quando for marcada a data das eleições directas. Foi a esse título que apoiou Pedro Passos Coelho nas últimas directas e quer manter o estatuto de "neutralidade" da maior distrital do PSD nas próximas eleições.
Seguem-se as eleições na distrital de Lisboa, a segunda maior estrutura do partido, marcadas para 3 de Dezembro. Carlos Carreiras, que não calou as críticas a Ferreira Leite por causa da lista de deputados, recandidata-se e pode vir a ter adversários. Ontem à noite, reuniu-se a assembleia distrital, onde os seus opositores iriam decidir se avançariam com uma candidatura alternativa. Carreiras, que esteve ao lado de Passos Coelho, trava agora "precipitações". "Não é importante discutir nomes, senão o partido vai atrás de pessoas e não de projectos", justifica.
A invocada "neutralidade" serve de escudo às distritais num momento em que paira a indefinição sobre quem vai de facto entrar na corrida da sucessão de Ferreira Leite.
Sem a vaga de fundo de que estaria à espera, Marcelo Rebelo de Sousa saiu tacticamente de cena e Passos Coelho resguarda-se. O tempo é de trabalho de bastidores. E de alinhamentos nas distritais. Na Guarda, Ana Manso anunciou ontem que vai disputar a liderança com Álvaro Amaro nas eleições de 5 de Dezembro. Também a distrital de Bragança vai a votos no dia 16 de Janeiro. Adão e Silva não se recandidata. Ao fim de cinco anos de mandato, o deputado entende que é necessária uma mudança, tal como reclama para a direcção do partido. "O PSD precisa de novas ideias, de novas pessoas. Se for o dr. Pedro Passos Coelho, não tenho dúvidas de que virão novas ideias e uma nova energia", vaticina o deputado, inconformado com "o vazio" em que o partido caiu. "A presidente do partido faz de conta que é presidente, não há directrizes, pelo menos que o partido saiba. É um exercício de despedida, em que a líder não se despede", critica.
Em sinal contrário, Virgílio Costa, que preside à distrital de Braga (a terceira mais importante em número de militantes) e que esteve ao lado de Santana Lopes, entende que os mandatos devem ser cumpridos até ao fim. Ele só termina o seu em Março e concorda que Manuela Ferreira Leite tenha permanecido na presidência do partido. Quanto à sucessão na liderança, Costa também promete "neutralidade da distrital", mas vai dizendo que veria com bons olhos o avanço de Marcelo Rebelo de Sousa. Sem vagas de fundo. "Não é uma escolha de coração, é de conveniência face ao momento difícil que o país e o partido atravessam", diz. E define condições: "Tem de ser uma candidatura, disputada voto a voto, e não uma nomeação." À espera de uma clarificação está António Topa. O líder do PSD-Aveiro defende "novas caras no partido" e olha para a candidatura de Pedro Passos Coelho como podendo "personificar a renovação".
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