Quem, como, quando? O que precisa de saber sobre a vacinação da covid-19
Vacinação deverá arrancar em Janeiro. Pessoas com comorbidades e trabalhadores de risco fazem parte do grupo prioritário. Vacinas só deverão chegar à população que não é de grupos prioritários a partir de Julho.
Portugal anunciou, nesta quinta-feira, o plano nacional de vacinação contra a covid-19. Foram definidos dois grupos prioritários para receber estas vacinas que, de acordo com as previsões das autoridades de saúde, devem começar a ser administradas em Janeiro. Tire aqui as suas dúvidas sobre onde, como e quando poderá ser vacinado.
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Quando terá início a vacinação em Portugal?
As primeiras vacinas serão administradas em Janeiro. Esta quinta-feira, o responsável pela task force que elaborou a estratégia nacional, Francisco Ramos, confirmou que o país assistirá ao arranque da vacinação no próximo mês, admitindo, porém, que ainda não é possível dizer em concreto o dia em que serão dadas ao grupo prioritário.
Quem serão os primeiros a receber a vacina?
São 950 mil pessoas. O primeiro grupo prioritário abrange pessoas com 50 ou mais anos com uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal e doença respiratória crónica com suporte ventilatório.
Os utentes dos lares e pacientes internados em unidades de cuidados continuados também estão incluídos neste grupo, bem como os profissionais que trabalham nestas instituições.
Os profissionais de saúde e de outras organizações que contribuem para o combate à pandemia – onde se incluem os elementos das forças de segurança e forças armadas – também fazem parte dos primeiros a receber a vacina.
Quando é que estas pessoas prioritárias vão receber a vacina?
O responsável pela task force que definiu o plano de vacinação afirmou esta quinta-feira que, “num cenário optimista”, a primeira vaga de vacinação ocorrerá entre Janeiro e Fevereiro. Mas de acordo com o que se pensa ser o desenrolar normal dos acontecimentos (o designado "cenário mais provável"), prevê-se que este primeiro grupo prioritário seja completamente vacinado entre Janeiro e Março. Se existirem, contudo, problemas na distribuição da vacina, este prazo poderá ser estendido até Abril.
Quais são os grupos seguintes?
Pessoas com 65 ou mais anos, independentemente da existência de patologias de risco, vão receber a vacina na segunda fase de vacinação.
Este segundo grupo prioritário abrange também pessoas entre os 50 e os 64 anos que sofram de outras patologias que não estejam incluídas na primeira fase de vacinação. Francisco Ramos adiantou que quem esteja nesta faixa etária e sofra de diabetes, neoplasia maligna activa, doença renal, insuficiência hepática, obesidade e hipertensão arterial receberá o medicamento na segunda vaga de vacinação.
São abrangidas 2,7 milhões de pessoas nesta segunda fase, que terá início em Março ou Abril. Os especialistas prevêem, tal como para a primeira fase, cerca de dois meses para completar esta etapa da vacinação. No pior dos cenários, este segundo grupo estará vacinado em Julho.
E a restante população?
Os especialistas desenharam um terceiro e último grupo de vacinação, que abrange a restante população do país. Adolescentes e pessoas até aos 65 anos saudáveis não fazem parte dos dois grupos prioritários estabelecidos pelos especialistas de saúde. Não há dados suficientes para recomendar a vacinação de crianças e grávidas.
Podem existir alterações a estes grupos?
Sim. Francisco Ramos deixou claro que podem ser feitos ajustes aos grupos prioritários, que estão dependentes do “ritmo de abastecimento” da vacina.
Terei de pagar pela vacina?
Não. A vacina será gratuita e terá “carácter universal”, disse a ministra da Saúde, Marta Temido.
Onde serão dadas as vacinas?
Nas primeiras duas fases, as vacinas serão fornecidas nos centros de saúde, num total de 1200 pontos de vacinação em todo o país. Para as pessoas em lares ou unidades de cuidados continuados, as vacinas serão dadas nesses próprios locais. Após a vacinação dos grupos de risco, prevê-se a expansão dos pontos de vacinação, não sendo ainda claro em que moldes se dará este alargamento.
O que devo fazer para receber a vacina?
De acordo com as indicações fornecidas na apresentação do plano de vacinação, serão as autoridades de saúde a identificar e contactar as pessoas nos grupos prioritários. A vacinação será depois agendada, de modo a agilizar o processo. Os doentes podem, contudo, solicitar a marcação da vacina, se se enquadrarem nas restrições aplicadas aos primeiros grupos
E se não tiver médico de família?
Nesse caso, deverá ser o próprio cidadão a contactar os centros de saúde, apresentando uma declaração médica de um médico privado ou seguro que ateste a necessidade de vacinação.
Quais são as vacinas que Portugal vai receber?
Portugal adquiriu cerca de 22 milhões de doses, num investimento que está entre os 180 e os 200 milhões de euros. Neste momento, há acordos assinados com seis fabricantes, conforme explicou o coordenador do grupo de trabalho que decidiu o plano de vacinação.
“O primeiro foi o da AstraZeneca, assinado a 14 de Agosto, que tem 300 milhões [de doses] para a União Europeia e 6,9 milhões para Portugal. O segundo da Sanofia/GSK, em que não estão definidas doses. O do grupo Johnson&Johnson, com 200 milhões [de doses] para a União Europeia e 4,5 milhões para Portugal. O da Pfizer, com 4,5 milhões para Portugal. O da CureVac, o valor está praticamente acertado, entre quatro e cinco milhões. O último contrato assinado, o da Moderna, tem uma quantidade mais pequena, 80 milhões [para a Europa] dos quais nos cabem 1,8 milhões”, explicou o presidente do Infarmed.
Quais são as primeiras a chegar a Portugal?
Ainda não é possível dizer ao certo. A Agência Europeia do Medicamento está neste momento a concluir a sua avaliação às vacinas da BioNTech/Pfizer e da Moderna. Caso recebam parecer favorável deste regulador, serão as primeiras a distribuir às populações dos países.
Serão precisas duas doses da vacina?
Sim. O plano de vacinação para a covid-19 prevê que o medicamento seja tomado em duas doses. O intervalo entre a primeira e a segunda injecção dependerá da vacina, sendo que nos ensaios clínicos da BioNTech/Pfizer o intervalo entre doses variou entre 19 e 42 dias. A duração da imunização permanece uma incógnita.