Maioria das pousadas da juventude ficou por concessionar

Das 14 pousadas que foram a concurso, cinco serão entregues a privados. Movijovem encaixa 250 mil euros com a operação e as unidades vão ser alvo de investimento de meio milhão.

Das 40 pousadas em funcionamento, 31 dão prejuízo
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Das 40 pousadas em funcionamento, 31 dão prejuízo Manuel Roberto

O resultado dos dois concursos públicos para a concessão de um total de 14 Pousadas da Juventude, deixou nove unidades por concessionar. A gestão das cinco restantes será entregue a privados (nomeadamente empresas e federações desportivas), numa operação que permitiu um encaixe de 250 mil euros à Movijovem, a entidade pública que gere a rede nacional e é detida em 80% pelo Instituto Português da Juventude e em 20% pela Associação de Utentes das Pousadas da Juventude. Prevê-se que o investimento adicional feito pelos vencedores dos concursos ultrapasse os 500 mil euros.

Emídio Guerreiro, secretário de Estado do Desporto e da Juventude, faz um balanço positivo dos concursos tendo em conta que esta foi uma experiência inédita na história das pousadas, que surgiram em Portugal em 1958 e se confrontavam com sérias dificuldades financeiras.

Além das cinco concessionadas através de concurso público - localizadas em Aljezur, Penhas da Saúde, São Pedro do Sul, Vilarinho das Furnas e Viseu - outras quatro vão passar a ser geridas por câmaras municipais (Setúbal, Braga, Oeiras, Vila Real). Há ainda uma nova pousada a inaugurar em Novembro em Celorico de Basto e que é o primeiro caso de cedência de marca. O edifício, uma antiga estação de comboios, será reabilitado e gerido pela autarquia e abrirá em Novembro integrado na rede de Pousadas da Juventude.

“Sendo uma coisa nova, faço um balanço positivo. Da actual rede de 41 pousadas [incluindo a de Celorico], dez estão já com o novo modelo: cinco com gestão privada e cinco com gestão pública, de autarquias. Tínhamos estimado no Verão de 2015 termos 20 a 25% da rede concessionada e conseguimos. Agora é preciso que os agentes económicos ganhem confiança no modelo. Estas dez são já uma boa resposta e uma boa oportunidade para podermos fazer afinações se necessário”, disse ao PÚBLICO.

As dez pousadas concessionadas vão manter-se na rede nacional e continuam membros da Hostelling International, tendo que prestar serviço público de alojamento apoiando, por exemplo, visitas de estudo das escolas. As entidades que agora vão passar a gerir as unidades vão pagar à Movijovem uma renda equivalente a 15% do valor da facturação bruta obtida com a venda das dormidas. A falta de pagamento obriga o concessionário a pagar o dobro da prestação em dívida. O acesso mantém-se como até aqui: qualquer pessoa, independentemente da idade, pode usar a pousada. As reservas das dormidas têm de ser feitas no sistema informático disponibilizado pela Movijovem e os preços terão de respeitar os valores máximos estipulados pela entidade pública.

Emídio Guerreiro recorda que das cinco pousadas que vão ser geridas por entidades privadas, três apresentaram prejuízo em 2014. É o caso das Penhas da Saúde que passam para as mãos da Federação de Desportos de Inverno de Portugal ou de São Pedro do Sul que será gerida pela Inatel. O secretário de Estado destaca o investimento adicional na remodelação dos edifícios de, pelo menos, meio milhão de euros, defendendo que “há um ganho financeiro efectivo associado ao investimento que era necessário fazer”. “Gostaria que tivéssemos concessionado mais, mas era importante começar e ver o modelo a funcionar para que os investidores sintam” que são activos com interesse. Não fossem as eleições legislativas marcadas para 4 de Outubro, o passo seguinte era repetir novo concurso público, adianta.

Com um passivo de 9,7 milhões de euros, as Pousadas da Juventude passaram de prejuízos de mais de 1,7 milhões de euros, em 2008, para lucros de 200.878 euros em 2014 devido a um profundo corte na despesa, sobretudo, com trabalhadores. Os gastos com pessoal reduziram de 5,7 milhões (2009) para 3,9 milhões de euros em 2014. Das 40 unidades a funcionar em Portugal, 31 dão prejuízo, apresentam baixas taxas de ocupação e algumas precisam de obras urgentes. Este Verão foi reactivada a pousada de Évora encerrada desde 2003 e ainda esta semana foi fechado o acordo com a Câmara de Celorico de Basto.